quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Vale a pena degustar desses textos.

Luís Vaz de Camões

Luís Vaz de Camões presume-se tenha nascido em Lisboa por volta de 1524, de uma família do Norte (Chaves). Viveu algum tempo em Coimbra onde, segundo consta, freqüentou aulas de Humanidades no Mosteiro de Santa Cruz onde tinha um tio padre. Regressou a Lisboa, levando aí uma vida de boemia. Em 1553, depois de ter sido preso devido a uma briga, parte para a Índia. Fixou-se na cidade de Goa onde escreveu, de acordo com seus estudiosos, grande parte da sua obra. Regressa a Portugal em 1569, pobre e doente, conseguindo publicar Os Lusíadas em 1572 graças à influência de alguns amigos junto do rei D. Sebastião. Faleceu em Lisboa no dia 10 de junho de 1580. É considerado o maior poeta português, situando-se a sua obra entre o Classicismo e o Maneirismo. Obras: "Os Lusíadas" (1572), "Rimas" (1595), "El-Rei Seleuco" (1587), "Auto de Filodemo" (1587) e "Anfitriões" (1587).

Poemas:



Transforma-se o amador na cousa amada
 
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
 
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sómente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
 
Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,
 
Está no pensamento como ideia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.
 
Busque Amor novas artes, novo engenho
 
Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
 
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
 
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
 
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.
Alma minha gentil, que te partiste
 
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
 
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
 
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
 
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
 
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
 
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
 
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
 
Amor, que o gesto humano na alma escreve
 
Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.
 
A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.
 
Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.
 
Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.
Ao desconcerto do Mundo
 
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
Eu cantarei de amor tão docemente
 
Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
 
Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.
 
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
 
Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.
Julga-me a gente toda por perdido
 
Julga-me a gente toda por perdido,
Vendo-me tão entregue a meu cuidado,
Andar sempre dos homens apartado
E dos tratos humanos esquecido.
 
Mas eu, que tenho o mundo conhecido,
E quase que sobre ele ando dobrado,
Tenho por baixo, rústico, enganado
Quem não é com meu mal engrandecido.
 
Vá revolvendo a terra, o mar e o vento,
Busque riquezas, honras a outra gente,
Vencendo ferro, fogo, frio e calma;
 
Que eu só em humilde estado me contento
De trazer esculpido eternamente
Vosso fermoso gesto dentro na alma.

Erros meus, má fortuna, amor ardente
 
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
 
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
 
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
 
De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!
Quem diz que Amor é falso ou enganoso
 
Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.
 
Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.
 
Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.
 
Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.



21 comentários:

  1. Alma minha gentil, que te partiste

    O melhor poema postado, título muito sugestivo e texto mais ainda. Exprime o sentimento Humano. Um abraço!! Até a próxima.

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  2. Alma minha gentil,que te partiste
    Adoramos o poema,o titulo nos remete a algo tao bom e maravilhoso,assim e o amor.Aquele que nos faz sorrir,chorar,nos da prazer e nos faz sofrer(as vezes muito).
    TE ADORANOS MUITOoooooooooo,BIG BEIJOSSSSSSSSSS.

    CAROL E JOSY 1f

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  3. KAROLAYNE JAISES E GIRLIANE27 de setembro de 2010 07:35

    Adoramos o poema erros meus, má fortuna,amor ardente. o que mais nos chamou atenção foi o título. O poema é muito interessante, e por isso nós o escolhemos.
    beijosssssssssssssssssssssssssssssss de Karolayne Jaises e Girliane!

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  4. ADOREI O POEMA AO DESCONCERTO DO MUNDO O QUE MAIS ME CHAMOU ATENÇÃO FOI O TITULO .NO POEMA FALA DOS GRAVES TORMENTOS QUE TEM NO MUNDO .BEIJOS DE SUA ALUNA THALITA 1B

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  5. EU CANTAREII DE AMOR TAO DOCIMEN OPOEMA ESTA MARAVILHOSO,PRIMCIPALMENTE PARA AS PESSOAS QUE ESTAO APAIXONADAS NAO TENHO NEM PALAVRAS PRA FALAR... THALL E MUITOS B

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  6. ADOOREI O POEMA "QUEM DIZ QUE O AMOR FALSO OU ENGANOSO", PORQUE FALA DE UM ASSUNTO MUITO "BOM" QUE É O AMOR, QUE É BRANDO, INPIEDOSO, DOCE ETC...
    O TÍTULO É SUGETIVO PARA O LEITOR E CAUSA CURIOSIDADE NA HORA DE LER...

    bEATRIZ sUSAN

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  7. QUERIDOS ALUNOS,

    AGRADEÇO MUITO PELOS COMENTÁRIOS E FICO FELIZ QUE TENHAM GOSTADO DA SELEÇÃO.

    BEIJÃO

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  8. GOSTEI DA POESIA "ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE", PRINCIPALMENTE COM A ESTROFE "TUDO PASSEI, MAS TENNHO TÃO PRESENTE/ A GRANDE DOR DAS COUSAS QUE PASSARAM,/ QUE MÁGOAS IRAS ME ENSINARAM/ A NÃO QUEREM JÁ NUNCA SER CONTENTE.", PORQUE FALA DE ERROS COMETIDOS E AMORES PERDIDOS.

    ANA MÁRCIA - 1º A

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  9. adorei o poema mudam-se os tempos;mudam-se as vontades pois eu sempre mudo de opiniao, sempre de vontade.voce é uma pessoa muito legal te adoro,beijossssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss de sua querida aluna lidiane do 1b thcauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

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  10. adorei o poema "mudam-se os tempos,mudam-se as vontades".
    os tempos sempre mudam:PASSADO,PRESENTE E FUTURO.
    as vontades também.muitas pessoas desistem da sua maior vontade por puras besteiras.leticia 1b tchau.

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  11. Olá , escoolhi :Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Que com um tempo , tudo munda , todos mundo ninguém nem nada permanece para sempre do mesmo jeito .
    By: Gabriella Cruz ;*

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  12. Olá , escoolhi :Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Que com um tempo , tudo munda , todos mundam e ninguém nem nada permanece para sempre do mesmo jeito .
    By: Gabriella Cruz ;*

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  13. Olá , escoolhi :Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Que com um tempo , tudo munda , todos mundam e ninguém nem nada permanece para sempre do mesmo jeito .
    By: Gabriella Cruz ;*

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  14. Transforma-se o amador na cousa amada mim chamou atenção pois o titulo relata bem o Poema...
    E foi o meu escolhido!!
    Abraços: Heydsan Miron Mendes
    1° B

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  15. adorei o a mensagem ao desoncerto do mundo...
    é muito interessante...

    simone 1° A
    :)

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  16. Gostei do poema ''Alma minha gentil, que te partiste'' é um poema centenário, sempre tão atual, quando sofremos as perdas...

    Maria Virgínia 1°A

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  17. ''Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

    Muda-se o ser, muda-se a confiança;

    Todo o mundo é composto de mudança,

    Tomando sempre novas qualidades.


    Continuamente vemos novidades,

    Diferentes em tudo da esperança;

    Do mal ficam as mágoas na lembrança,

    E do bem, se algum houve, as saudades.



    O tempo cobre o chão de verde manto,

    Que já coberto foi de neve fria,

    E em mim converte em choro o doce canto.



    E, afora este mudar-se cada dia,

    Outra mudança faz de mor espanto:

    Que não se muda já como soía.''


    Gostei muito do blog está de parabéns todos ''vocês'' .
    Sim e esse poema me chamou muita atenção por ''relatar'' as VARIAÇÕES que sofremos ao longo da vida !

    Brunna Travassos 1ºA :*

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  18. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

    Lendo este poema relacionei-o com os acontecimentos que nos envolveram nos últimos dias.
    Refiro-me as eleições no Brasil. Mudanças são esperadas. Você estará satisfeito com as pessoas escolhidas? Será que votou na pessoa certa? E as coisas vão mudar?
    Vamos alimentar esperanças para os novos dias ou teremos saudades de outros tempos? Mais a vida segue acontecendo nos detalhes, nas surpresas, nas decepções, nas alterações de rota que não são determinadas pelas urnas, mas por um olhar que você ainda não havia percebido.
    Venha o que vier nada há de nos pegar desprevenidos. Votar é obrigatório, mas viver sem dúvidas é bem melhor.

    Débora Sousa 1º ‘‘A’’

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  19. Quem diz que amor é falso ou enganoso

    Na primeira estrofe, Camões faz uma critica a quem define o amor como falso ou enganoso, ligeiro e assim por diante.
    Já na segunda estrofe, remete esses comentários alegando que é doce, piedoso, calmo, que nos faz sorrir e chorar.
    No amor acontece coisas inusitadas, coisas belas e ao mesmo tempo ruins, que nos fazem ter felicidades repentinas e sofrimentos dolorosos.

    Cíntia de Abreu 1º ‘‘A’’

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